domingo, 24 de outubro de 2010

Pesadelo

Acordo, meu rosto demonstra que
esta noite não deveria existir,
na janela do quarto a visão da rua
sozinha, desolada, silenciosa e
até mesmo tenebrosa.

Troveja, a luz do relâmpago ilumina
meu corredor antes escuro, o que
se passa do outro lado dele? Eu me
sinto perdido dentro me minha
própria residência.

Abro a torneira, A água é fria, quando toca meu rosto
a sensação de que se está acordado
e não em um devaneio é tão assustadora
quanto aquele sonho que tempos atrás
apavorava minha existência.

Na beirada da cama minha reflexão
sobre o que ocorreu toma meu pensamento,
nunca antes uma madrugada pareceu
uma contagem eterna e sem sentido
dentro de quatro paredes.

Penso em acender um cigarro, ou talvez
abrir um litro de algo que tenha álcool,
depois vem o convencimento de que
isso não vai resolver, já que não sei
se durmo ou permaneço acordado.

Estes pensamentos, esse tempo,
meu quarto, a rua, tudo isso conspira
ainda mais contra o meu ser, e agora
encontro outro inimigo em comum
que martela com aquelas gotas de
água caindo na pia.

Quando se está em um lugar assim
até uma torneira pingando se torna
um torturador de vasta experiência
e de grande falta de compaixão.

Eu apenas quero sair deste limbo, quando
se está neste tipo de situação, não sabemos
o que fazer, ou o que dizer, e pra que
fazer ou dizer? Se ninguém vai estar
lá para lhe ver ou ouvir?

E agora? percebo que minha fortaleza
não possui paredes tão grossas assim,
noto que minhas dúvidas na verdade são
os cupins que corroem minhas certezas.

Tudo isso por causa desta noite, deste sonho
deste modo que acordei e deste sentimento
que insiste em permanecer a acariciar
de maneira sombria o meu ser.

Deito, fecho os olhos na esperança de que
tal incômodo inquilino venha a se retirar
do meu quarto, deixe de alugar minhas
noites de sono e de transformar meus pensamentos
em nebulosos caminhos sem sentido.
É apenas mais uma noite de outubro.








Um comentário:

Didi. disse...

Você tem ecrito cada vez melhor seu Cássio Galvão. Bem que o título poderia ser a Entre quatro paredes de agonia...rsrsrs


sei lá viagei. ^^