sexta-feira, 19 de julho de 2019

Do doloroso embalar

Quando o inverno chegar,
quando as flores caírem,
a arrogância terá o seu preço a cobrar,
suas rugas serão as primeiras a rirem,
e em lagrimas você irá se afogar.

Irá se arrepender dos homens que comprou,
das mulheres que na luxuria se alagou,
irá querer mais um trago do veneno
que por tantos anos sorrindo tomou.

nenhum dinheiro será seu amigo
neste antro vazio em que chamas de abrigo
em nenhum calor irá esquentar
essa fria alma que em prantos há de se amargar.

sob teus pés as cobras que criastes com tanto zelo
com ferocidade irão morder seu tornozelo
com a faca mais reluzente que destes de presente
irás se afogar em sangue e ranger de dentes.

Sentirás falta dos momentos em que a ajuda negou
já que agora suas mãos trêmulas se estendem com terror,
seus olhos clamando por piedade se erguem àqueles 
que agora com soberba o encaram com superioridade.

E ao cair do dia, 
já sem nenhuma alegria,
vai reclinar os cansados olhos,
para que no outro dia,
comece de novo toda essa agonia.












domingo, 4 de dezembro de 2011

Dragão do sul

Ah Dragão do sul! Acorde de teu sono!
Retira esta venda!
Não deixes que estes grilhões te prendam!
Teu futuro ainda vai ser grande!

Desta terra que tanto amas, e que agora te enganas,
e que teus irmãos sem pudor, lhe trancam,
onde ao poucos te esganas,
tuas asas não se abrem para voar sobre a praia.

Eras como a água, livre de forma e estadia,
sempre corrias para o mar.
Hoje és pedra, és definido, limitado.
Oh grande Dragão do sul! Acorde do teu sono!

Tua tristeza se torna evidente
mesmo que tentes disfarçar,
não deixe que eles te dominem poderoso ser,
não permita que morras sem ver o mar novamente!

Nem todo o ouro que servem para teu ser,
poderá comprar o que em teu coração repousa.
Teu orgulho e tua humildade sempre serão teus tesouros,
não deixe que outras tribos digam para onde você deve olhar.

Oh poderoso Dragão tropical, das tuas pardas escamas,
das tuas negras asas, dos teus brancos cabelos,
da tua raça, da tua graça, de todo o teu esplendor,
tira esta venda, sai desta tormenta, apazígua tua gente serena!



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

‎"Você é o motor que impulsiona as mudanças deste mundo, a sua insatisfação com o que acontece hoje é o combustível, a chave de ignição sempre será uma atitude válida de sua parte. Acomodar-se é sempre a pior maneira de se render."

sábado, 12 de novembro de 2011

Banco

Eu ando do lado contrario do meu ser,
eu ando ultimamente estranho com o que se deve ter.

Tinha uma cadeira naquela praça que não existe mais,
tanto faz, ela não passa mais por lá, ela não caminha neste mundo.
Minhas mãos um dia tocaram aquele cabelo cacheado,
agora não sabem mais aonde devem se portar,
tudo que se pensa que é pra sempre,
nunca será de fato, ou ruirá com o passar do vento
pelos postes da cidade.

As luzes que brilham pela noite, escondem a beleza desta escuridão,
mascaram a ausência que aquela cadeira faz no meu cotidiano.
A viagem que eu sempre evitava agora se faz obrigatória,
tão difícil quanto suportar a dor, é esperar por ela,
saber que ela vem e não poder fazer nada,
que não seja abraçá-la.
[Então deixa essa ciranda girar]

Aquele jardim que se destacava, agora ficou cinza.
Não há cor mais estranha e mórbida que o cinza,
nem preto, nem branco, nem triste por completo,
nem alegre por inteiro. As pétalas daquela flor ficaram
cinzas morena.


domingo, 30 de outubro de 2011

A vida e a dança

Viva,
Intensamente,
Furiosamente,
Constantemente.

Na vida, poucas coisas são tão boas
quanto viver com toda a potência
que a vida pode oferecer,
com tudo que ela tem para lhe satisfazer.

Dance.
A dança reflete o que sua alma sente,
o que a sua existência compartilha,
aquilo que você admira!

Na dança, as pessoas se libertam das amarras,
se livram das dores e transformam em movimento
a poesia que antes era estática, quase um lamento,
somos, por poucos momentos, deuses do firmamento.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cobiça

Andamos, andamos e andamos,
no entanto nunca nos contentamos,
nunca sabemos pra onde vamos,
nunca paramos.

Temos essa sede por saber
esta mania do querer aprender
esta loucura que nos faz correr
este medo estranho de morrer.

Fabricamos coisas estranhas
coisas mais do que medonhas,
então retiram de nossas entranhas
algo que seja semelhante a uma grande façanha.

Somos símios de terno e vestidos
dançando com metralhadoras e espartilhos
andando na rua carregando nossos filhos
sem percebermos o alvo marcado acima de nossos cílios.


domingo, 9 de outubro de 2011

Convite

Que bom poder sentir isso novamente,
faz tanto tempo que as palmeiras não fazem este barulho.
Agora posso ver que francamente
não há lugar melhor que este de que tanto me orgulho.

O som nativo dos que aqui habitam é único
até parece que em lugar algum já se ouviu.
A batida dos tambores se dá em um timbre harmônico
de um modo que você nunca sentiu.

Venha pra cá, molhe seus pés na areia
e se encante com o badalar lento do tempo.
Se deixe levar com o entoar do canto da negra seria
que há eras joga seu canto ao vento.

Também quero te ver neste litoral a bailar
como se esta praia fosse um imenso salão,
vendo que o tempo nunca irá acabar
e a chegada do luar fosse somente o farol desta linda escuridão.

Aqui, talvez eu não possa construir tudo o que quero
nem ao menos ter um lugar para poder ter riquezas,
tal ideia não preocupa ou magoa meu ego,
é só ter você aqui que de uma vez terá fim minhas tristezas.