domingo, 10 de outubro de 2010

arlequim


Ele aglutina tudo o que pode tocar
ele deseja tudo o que pode ver
ele tem tendências mesquinhas
maquiadas de atitudes nobres.

Ele é um arlequim que faz graça
enquanto nos entorpece e nos mata
ele nos mata dando o vinho que queríamos
e o entretenimento que nos alegra.

A marcha fúnebre percorre o caminho
e apenas achamos engraçado como
o defunto está enrolado dentro do caixão.
É o arlequim que está nos alegrando.

Estamos bêbados, e agora? o que faremos?
Já viramos macacos e nem nos demos conta
voltamos a ser primitivos e achamos tudo lindo
realmente o arlequim sabe como ludibriar o tolo.

Pula, salta, puxa. Faz graça com a nossa desgraça
e mesmo assim é tão bom ver o outro perecer
que não queremos que ele pare de brincar na
nossa frente humilhando nosso semelhante.

Por fim, o golpe pelas costas, o frio, a dor,
a gargalhada baixa ao pé do nosso ouvido,
o cálice em nossas mãos, o sorriso sinistro em nossa face,
realmente o arlequim aglutina tudo o que toca.


2 comentários:

Anônimo disse...

Nunca pensei no Arlequim desse jeito, mas facilmente se encaixa nesse perfil. Uma armadilha cruel que nos leva à escolha mais fácil, a errada!

Adorei o texto ;)

Caiubi Rubim disse...

caiubir.blospot.com (: