sábado, 12 de novembro de 2011

Banco

Eu ando do lado contrario do meu ser,
eu ando ultimamente estranho com o que se deve ter.

Tinha uma cadeira naquela praça que não existe mais,
tanto faz, ela não passa mais por lá, ela não caminha neste mundo.
Minhas mãos um dia tocaram aquele cabelo cacheado,
agora não sabem mais aonde devem se portar,
tudo que se pensa que é pra sempre,
nunca será de fato, ou ruirá com o passar do vento
pelos postes da cidade.

As luzes que brilham pela noite, escondem a beleza desta escuridão,
mascaram a ausência que aquela cadeira faz no meu cotidiano.
A viagem que eu sempre evitava agora se faz obrigatória,
tão difícil quanto suportar a dor, é esperar por ela,
saber que ela vem e não poder fazer nada,
que não seja abraçá-la.
[Então deixa essa ciranda girar]

Aquele jardim que se destacava, agora ficou cinza.
Não há cor mais estranha e mórbida que o cinza,
nem preto, nem branco, nem triste por completo,
nem alegre por inteiro. As pétalas daquela flor ficaram
cinzas morena.


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