segunda-feira, 4 de abril de 2011

Das verdades e das vontades

I

Antes racional, naquele momento
simplesmente passional
Os sentidos se elevando ao ponto
que nenhuma outra droga me
entorpecia ou me animaria.

Nos olhares que sem dúvida alguma
eram reflexos inequívocos da vontade
que se esvaia pelos poros e que pela
ofegante respiração demonstravam
a força daquela atração.

Dos dourados daqueles cabelos
que simplesmente combinavam
de modo harmonioso com a pele,
que se arrepiava com o sereno
tato que lhe desbravara.

A boca que antes era um sinal de
ternura, agora incitava todas
as luxúrias que dormiam em
um calabouço, e que agora sem
controle invadiam um o ser do outro.

II

No teor da bebida
na sedução do cálice
no brilho dos olhos dela,
ela era luz, era inebriante.

As mãos no rosto,
as mão no cálice,
no rosto o cálice
nas mãos a sedução.

Nos cabelos o perfume,
na cor dos cabelos um convite
no dourado deles a sinfonia
a canção que confunde e prende.

Lá fora, a água, o barulho
o chuva que cai e salpica a janela,
na rua, o banho, no banho o beijo,
no beijo o aconchego.

Na chuva, a caminhada
a conversa, o trovão,
o clarão, o anoitecer chuvoso
o abraço apertado.

Molhados aqueles cabelos loiros
partem naquela chuva,
aqueles olhos que lhe guiam e iluminam,
deixando-me do outro lado
a vê-la partir de fato.







Um comentário:

Unknown disse...

escrito perfeitaamente bem =D