domingo, 22 de agosto de 2010

A Foice e o Revólver

Eu poderia até vestir minha armadura,
montar em meu cavalo e empunhar
minha espada, decepando a cabeça
de um dragão ou quem sabe de uma quimera.
Poderia pegar uma arma e apontar para
sua cabeça, ou quem sabe para minha.

Porém, eu me vejo ceifando os campos
de trigo amarelados pelo tempo. Eu quero
aquela foice pra matar meu ego, eu quero
aquela foice pra matar você e te ressuscitar
no terceiro dia, naquele sol de meia-noite
que nunca mais vai voltar.

Eu perco minha concentração tentando
te encontrar, tentando te amar, tentando
te respirar. Eu queria tanto conversar com
você, só por uma noite, só por uma hora.

Quero te mostrar que a foice não foi feita
apenas pra ceifar, mais também para
ressuscitar, por que existe um campo de trigo
sem que haja a foice para que na próxima
colheita ela volte a completar o seu ciclo?

Eu mostro um mundo diferente para você,
mais isto não lhe parece sedutor, você quer
mesmo é ver a minha armadura, o meu
cavalo e a cabeça do dragão em uma bandeia.
o que fez o dragão a você? Você quer o cheiro
da pólvora. Na minha ou na sua cabeça?

Eu não vou mais te ressuscitar, não vale
mais a pena ver o sol da meia-noite, não
és digna da foice que mata e revive. pegue
a cabeça das criaturas e monte um troféu
em sua bancada de mármore, e o cheiro da
pólvora, com certeza não ficar na minha cabeça.



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