Eu viajo em minha existência, eu repouso
no meu pensar, eu me agito na minha própria
dúvida, eu me entristeço ao despertar do sono
dos tolos em um amanhecer de sapiência
eu choro ao ver que o que eu menos quero
Eu grito aos ventos que o amor é o que cura
as feridas do meu peito, quando na verdade
eu mesmo me dilacero e tento abri-lo
por pura curiosidade, pobre de mim, que
finjo saber de tudo e nada sei, mesmo sabendo
que nada sei, insisto em dizer que sei, pobre
do meu ser.
Pobre da minha matéria, que tão sofrida
pelo tempo apresenta os sinais da idade
meu semblante, e já não posso mais desembainhar
o meu sabre, nem posso mais puxar de meu coldre
meu revolver, pois somente ao capazes é dado o
direito de manipular as máquinas da morte.
pobre dos capazes, estes que com sua cólera
levam a morte e a tristeza aos confins do
horizonte, pobre de mim que já fui um capaz
e hoje vivo atormentado pela sede desta cólera
e do remorso pelos vitimados que hoje consomem
Dai-me honrarias, eu tenho ânsia da meritocracia
tenho pavor do esquecimento, sou soberbo demais
para morrer no anonimato, não sou bom o suficiente
para morrer sem nenhum prestigio, corrompo-me com
os elogios, e mesmo assim não altero o meu estado
de espirito, vivo deveras estagnado pela vontade
de permanecer visto por todos, não evoluo pelo
mesmo motivo que você, que lê isto e se identifica.
Não tenho piedade, pois esta foi feita para os
fracos, por mais que eu seja um covarde não
me considero de fato, por mais que eu tente
ser um ser corajoso, não consigo, e tenho
em minha mãos os calos e as cicatrizes das derrotas
do embates sofridos e fatigantes da minha vida.
Um comentário:
Que lindo!!
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