domingo, 13 de junho de 2010

Canto do Arrependimento

Eu viajo em minha existência, eu repouso

no meu pensar, eu me agito na minha própria

dúvida, eu me entristeço ao despertar do sono

dos tolos em um amanhecer de sapiência

eu choro ao ver que o que eu menos quero

na verdade é o que eu mais anseio.

Eu grito aos ventos que o amor é o que cura

as feridas do meu peito, quando na verdade

eu mesmo me dilacero e tento abri-lo

por pura curiosidade, pobre de mim, que

finjo saber de tudo e nada sei, mesmo sabendo

que nada sei, insisto em dizer que sei, pobre

do meu ser.


Pobre da minha matéria, que tão sofrida

pelo tempo apresenta os sinais da idade

meu semblante, e já não posso mais desembainhar

o meu sabre, nem posso mais puxar de meu coldre

meu revolver, pois somente ao capazes é dado o

direito de manipular as máquinas da morte.


pobre dos capazes, estes que com sua cólera

levam a morte e a tristeza aos confins do

horizonte, pobre de mim que já fui um capaz

e hoje vivo atormentado pela sede desta cólera

e do remorso pelos vitimados que hoje consomem

meus pensamentos.


Dai-me honrarias, eu tenho ânsia da meritocracia

tenho pavor do esquecimento, sou soberbo demais

para morrer no anonimato, não sou bom o suficiente

para morrer sem nenhum prestigio, corrompo-me com

os elogios, e mesmo assim não altero o meu estado

de espirito, vivo deveras estagnado pela vontade

de permanecer visto por todos, não evoluo pelo

mesmo motivo que você, que lê isto e se identifica.


Não tenho piedade, pois esta foi feita para os

fracos, por mais que eu seja um covarde não

me considero de fato, por mais que eu tente

ser um ser corajoso, não consigo, e tenho

em minha mãos os calos e as cicatrizes das derrotas

do embates sofridos e fatigantes da minha vida.